"Travessos olhos, que na travessia
Deixais os olhos todos derrubados,
Contra quem só três dedos cavalgados
São na manhã remédio a todo o dia:
Dos milagres, que fez Santa Luzia,
Nenhum sabemos de olhos enfrestados
E mais de olhos que são tão namorados,
Que olham um para o outro à mor porfia:
Ciosos olhos, pois essas meninas
Escondeis no mais alto das capelas,
Não consistais haver delas suspeita:
Torcei-lhe a condição de pequeninas,
Porque nunca se possa dizer delas
Quem torto nasce, tarde se endireita."
«Fénix - I, pág. 161», in Segismundo Spina e Maria Aparecida Santilli, Apresentação da Poesia Barrôca Portuguêsa, Assis: 1967, p. 119.

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