Friday, July 24, 2026

SE JÁ REGRESSEI DAS PALAVRAS NOCTURNAS

 



"onde me queres,
se já regressei das palavras nocturnas?
onde queres que o rosto efémero e frágil caia?

hoje estremeço em museu, fogueira com luto
tristeza com lenço, cotovelo, sangue escuro.
fui certeza em terra, fui inútil,
caçador, sacrifício e peditório:
medronho, maçãs, flores e juncos.

talvez espalme as mãos na terra,
as costas, o umbigo e os pés também.
talvez duas faces escuras,
pintem a casa de verde
com a cor do rosto que se esconde."


Óscar Possacos, tábua, Ribeirão: Edições Húmus, 2026, p. 64.

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