"Tomei um pequeno pedaço de pão ázimo e, no tremor de minha mão, estava a piedade de Judas, a quem entreguei, como era o costume, pois junto de mim ficava. E naquele momento em que Judas recebeu a clara mensagem vinda juntamente como pão que lhe oferecia, desejei vê-lo como quando o escolhi, limpo e puro, a renegar o seu intento. Aguardei que ele vertesse uma lágrima, afastasse de si o prato e até mesmo se pusesse de joelhos. Pedro não se havia humilhado e à frente de todos, não respondera à minha severidade com a doçura da sua entrega? Corriam os instantes, mas ainda havia tempo para que Judas não se vestisse como traidor e mostrasse a iluminação que poderia vir de dentro dele, se a desejasse."
Dinah Silveira de Queiroz, Memorial do Cristo, Lisboa-Porto: Centro do Livro Brasileiro, 1983, ppp. 442-443.

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