"Depois que desta aldeia no retiro
A vide podo, enxerto o catapreiro,
Cultivo o meu casal, e do ribeiro
Eu mesmo as águas para o campo tiro;
Depois de a recolher somente aspiro
Do meu trabalho o fruto verdadeiro,
Outros bens não pretendo, e deste outeiro
Ao mundo enganador as costas viro.
Procure-os quem quiser e diligente
Para os lograr o mercador ousado
Travesse o mar e outras nações frequente;
Às cortes passe; e em tudo afortunado
Títulos compre ilustres; que eu contente
Sem eles vivo aqui, mas sossegado."
Paulino António Cabral, Poesias, coligidas, prefaciadas e anotadas por Mário Gonçalves Viana, Porto: Livraria Figueirinhas, 1944, pp. 152-153.

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