Friday, April 25, 2025

ATÉ ONDE A ÁGUA

 



"Se a alma pudesse ir, mas até onde
a água se acaba, o céu também se finda,
e o silêncio infinito é que se esconde
na vida que, findando, vive ainda...

Se pudesse esquecer, lá onde a linda
madrugada ideal mal nos responde
e o sentimento de uma paz infinda
envolve o coração, chega até onde

o que era humano e amargo se ilumina
e em flores de esperança multiplica
a sede de distância e de horizonte

e tudo esplende em som, em luz divina,
e alguma coisa de mais santo fica
do que morre e se esvai como uma fonte..."


Alphonsus de Guimaraens Filho, Antologia Poética, Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1963, pp. 98-99.

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