Sunday, November 9, 2025

DOMINGO

 


"Que domingo solene, ocioso e lasso!
Tão triste; o sol inunda a tarde toda, 
Festivo como um guizo numa boda
Onde a noiva morreu, desfeita em espaço...

Medeia a eternidade, em cada passo
Que, sem intuito, dá quem passa; à roda
Parece dormir tudo; e incomoda, 
Ponderável, no ar, um embaraço...

Toda a tristeza de domingo à tarde.
Sobre dos homens para o céu, que arde, 
O apego à vida dum olhar que morre.

Sombras sugerem aflições incertas...
E das janelas sôfregas, abertas, 
Morno, o silêncio como um pranto escorre..."


Reinaldo Ferreira, Poemas, Lisboa: Vega, 1998, p. 41. 

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