DERROTA
"És o derrotado.
Por uma impressão, um domínio
de imagens onde os grandes trevos
desenham as suas sombras,
por um meio-dia sem esperança
ou virtude, uma floresta
de bichos atónitos no fulgor
desabrido de uma clareira.
Os nomes tinha coisas no início.
Depois perderam-se os nomes
na sua relação (sanguínea, densa)
com as coisas. As peças de que se compunha
a natureza deslocaram-se para parte incerta.
Escreves atestando a derrota."
Luís Quintais, Nocturama, Lisboa: Assírio & Alvim, 2024, p. 41.
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