"Fustigada pela chuva, a madeira
envelhece.
Vai precisar de vários dias ao sol
para recobrar a textura original.
Depois, a plaina encarregar-se-á
de alisar as rugosidades e
as fissuras de outros amores.
Uma nova pintura acontece:
a primeira demão é pura carícia,
a segunda camada desconhece
qualquer cicatriz, o vento que
vai e vem sobre a portada.
Tal uma cobra muda de pele
a madeira rejuvenesce.
E a chuva?"
Jorge Gomes Miranda, Nova Identidade, Lisboa: Tinta da China, 2021, p. 208.

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