"Detendo-se no rosto dos
passantes, no olhar manso
das estátuas; como se
possível fosse adivinhar
na íris cosmologias,
primordiais sentidos;
nebulosas e buracos negros;
sopesar o tempo que leva
o sol a percorrer o muro
da casa e do castanheiro,
do cume à raiz.
Opondo-se ao efémero,
mas dele se alimentando,
ao balcão de um bar;
por vezes, prenúncio
de uma semana inteira
de delírios e juras."
Jorge Gomes Miranda, Nova Identidade, Lisboa: Tinta-da-China, 2021, p. 201.

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