"Embarquei certo dia
Na esfera transparente
De um misterioso engenho.
Só eu e o desespero
Sulcávamos o espaço
Naquela estranha nave.
Nada, nem as estrelas,
Conseguia alcançar-nos
Na aventura sem par.
Vencêramos o tempo.
O futuro já era
O presente e o passado.
Cingidos num abraço,
Nenhum de nós podia
Desfazer esse abraço.
Assim, unidos sempre,
Demos a volta aos mundos
Num fantástico vôo.
E em toda a parte vi
Seguirem abraçados
O homem e o desespero."
Américo Durão, Sinal, Lisboa: Sociedade de Expansão Cultural, 1963, pp. 85-86.

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