James Joyce, Ulisses, trad. Antônio Houaiss, Lisboa: Difel, 1983, p. 45." - Minhau!- Oh, aí estás - disse o senhor Boom, voltando-se do fogão.A gata miou em resposta e tornou a dar voltas em redor da perna da mesa, miando. Exactamente como desliza sobre a minha escrivaninha. Prr. Coça a cabeça. Prr.O senhor Bloom olhava curiosamente, carinhosamente, a fléxil forma negra. Limpa de ver: o lustro de seu pêlo nédio, o tufo branco sob a raiz de seu rabo, os lampejantes olhos verdes. Ele inclinou-se para ela, suas mãos sobre os joelhos.- Leite para a bichaninha - disse ele.- Minhau! - gritou a gata.Chamam-lhes estúpidos. Eles entendem o que dizemos, melhor do que nós os entendemos. Ela entende tudo que quer. Vindicativa, também. Imagino como é que eu pareço a ela. Altura de uma torre? Não, ela pode saltar sobre mim.- Tem medo das galinhas - disse ele zombeteiro. - Medo dos piupintinhos. Nunca vi uma bichaninha tão boba como esta bichaninha.Cruel. Natureza dela. Curioso os ratos não guincham nunca. Parece gostarem:- Miau - disse a gata bem alto."
Tuesday, April 12, 2011
MINHAU À CHEGADA DO FMI
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