Sunday, May 25, 2025

REPOUSO EXTERIOR


 
"Seguro então a vida em pleno
solo. Aí me deito
com os sinais perpétuos: árvores,
bosque, sombra, a permanência
de objectos olhados ou suspensos.
Agora, a outra lei - extractos
de sol sobre a retina - cede. Ao fácil

vento, à comoção do ar
pensado, onde se vive. Deste lugar os
elementos se afastam. Estão mortos,
inactivos no foco. Ou pela sombra
gravados, suspensos de algum livro.
Criaram-se da luz! São objectos
perecíveis: na imprecisão
da imagem, no seu repouso
exterior - entre a ciência e a vista."


Nuno Guimarães, Entre Sílabas e Lavas, Lisboa: Assírio & Alvim, 2024, p. 89.

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