"Para se ser grande é preciso sempre sofrer-se. É esta a maneira simples de entendermos o universo ígneo. Não ter nada, nem possuir nada. Ser mais pobre que os pobres e ter uma alma em fogo. Que pintor não daria um Santo - um daqueles homens nus como as ervas, escondidos nas lapas, sozinhos, com a montanha; criaturas que tanto amavam a natureza, que ao enxergá-la larga, gigântea, doirada, não podiam suster as lágrimas e que dormiam com a tábua do peito de encontro à terra, para lhe sentirem pulsar o coração! Homens que tinham em si amor para repartirem com tudo o que existe - ou seja, estrelas ou calhaus."
Raul Brandão, «Júlio Ramos», in A pedra ainda espera dar flor - Dispersos 1891-1930, org. Vasco Rosa, Lisboa: Quetzal, 2013, p. 182.
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