"Poças de chuva no cimento
fronteiro à garagem.
O brilho espasmódico à superfície
é o espelho de uma eternidade
contrafeita e em processo
que já não devolve o nosso olhar,
como se o coração do mundo
se tivesse subtraído à atenção dispersa.
Eis a escuridão de portas reflectidas
em manchas líquidas que o sol
devorará em breve,
material pobre de lâminas de alumínio
transposto para uma percepção agitada
pela origem das coisas.
Aproximamo-nos de uma revelação
que não se cumpre.
No limite da nossa entrega
somos por tal virtude abandonados.
A origem das coisas é a origem do medo."
Luís Quintais, Nocturama, Lisboa: Assírio & Alvim, 2024, p. 153.

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