"Se é lícita uma lágrima nas rosas,
Com que, ó noite de Abril, nos ris coroada,
Dos mártires da Pátria libertada
Uma lágrima às sombras generosas!
Seus sepulcros dão palmas gloriosas;
Heróis herdaram sua nobre espada;
E hecatombe de tigres lhe é voada
De dia a dia às cinzas sequiosas.
Mas no Elíseo onde estão, hoje pensando
Que um dia mais que o céu por Lísia passa,
Saudoso se reúne o egrégio bando.
Murmuram longo viva à jovem Graça,
E involuntária lágrima escapando
Do néctar entre as mãos lhe turba a taça."
António Feliciano de Castilho, in Poesia Romântica Portuguesa, org. Álvaro Manuel Machado, Lisboa: IN-CM, 1982, pp. 114-115.

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