"Foi tudo precioso, o silêncio flutuou
e deteve-se perto de servir um mal-entendido,
criado no tosco, um pedreiro da memória,
um cavalheiro sedutor. Pousa a bandeja,
essa cabeça sangrenta não vale a tua dança,
senta-te no meu colo. Vou rezar para que não te
dêem trabalho que te estrague os olhos,
as mãos, nem azede o pudor de te sentires
estranha. Mais um pouco. As chávenas
estão sujas, o serão tropeçou em frase, que
suspensa a meio, parece poupar as feridas
que sangra; quem a poderá escrever
que se sinta arredado de ser cúmplice,
um estranho que não olhaste e tal
desamparo, por ser precioso, afundou em júbilo?"
José Alberto Oliveira, O Que Vai Acontecer?, Lisboa: Assírio & Alvim, 1997, p. 9.

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