"Todos têm bocas cansadas do canto
e claras almas sem bordo.
E uma saudade (como depois do pecado)
muitas vezes os atravessa em sonho.
Todos uns com os outros parecidos;
no jardim de Deus estão calados noite e dia,
como muitos, muitos intervalos reunidos
na sua força e melodia.
Apenas quando suas asas abrem, tantas,
são o despertar de um vento:
como se Deus passasse com suas amplas
mãos de arquitecto pelas páginas de dentro
do obscuro livro do início lento."
Rainer Maria Rilke, O Livro das Imagens, trad. Maria Teresa Dias Furtado, Lisboa: Assírio & Alvim, 2024, p. 29.

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