"Quanto à poesia, que os últimos elementos minerais das viagens rolem para o esquecimento dos mares.
O espaço não contém nenhum bem para o homem. Há escritores que falam das lições da paisagem, fingem acreditar que as pedras e o céu se entregam a uma mímica que faz deles professores. Em contrapartida, os homens podem imitar as atitudes e as virtudes morais de uma cidade, de um território, de uma zona de vegetação; serenidade, inteligência, grandeza, desespero, voluptuosidade.
Mas os viajantes sérios têm feito pouco desta retórica: as viagens de Montaigne são secas, as de Descartes despidas de tudo, apenas se interessam pelos homens."
Paul Nizan, Aden-Arábia, trad. José Borrego, Lisboa: Editorial Estampa, 1991, p. 135.
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