"A noite principia a descer. Nela o que se perde? De início
a luz, mas também a sombra. Depois escutamos pelas veias
o murmúrio do sangue, uma despedida, quem se aproxima
para estar mais longe ao chegar. É assim uma recordação,
sabiam-na talvez aqueles que morreram quando connosco
atravessavam desde o início os mesmos caminhos. Cerramos
devagar os olhos para nos vermos e depois perguntamos
o que somos agora e quem nos vem acompanhar. A resposta
esquecemo-la. Nós para os mortos somos os que morreram."
Fernando Guimarães, Sobre a Voz, Porto: Afrontamento, 2024, p. 64.

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