"Nós somos um centro de relações mas tão volúveis
que se dispersam e se confundem
como lâmpadas que ofuscam e se apagam
sem que vejamos as figuras coerentes
Mas no poema a hesitação procura
as simetrias claras as vivas evidências
do mundo o tronco da indolente segurança
que é a invenção de um enlace de água e fogo
É na distância que ele cria a semelhança
com o seu ouvido verde com a sua língua verde
e o mundo poderá ser o pressentimento da sua iminência
que não sendo nada é a sua surpreendente possibilidade
Quer seja uma pedra de pálpebras ou uma lua côncava
é o seu silêncio que ilumina as palavras
e as faz estremecer como se fossem folhas
de uma oscilação entre o ser e o não ser."
António Ramos Rosa, Deambulações Oblíquas, Lisboa: Quetzal, 2001, p.19.

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