"Debaixo de uma luz anémica,
Corre, dança e à toa se torce
A Vida, impudente e berrante.
Assim, logo que no horizonte
A lúbrica noite desponta,
Tudo acalmando, mesmo a fome,
Tudo apagando, mesmo o opróbrio,
O Poeta comenta: «Enfim!
«Meu espírito e minhas vértebras
Pedem com ardor o repouso;
Com as minhas ideias fúnebres,
«Vou estender-me sob os céus,
E espojar-me nos vossos véus,
Ó trevas sempre refrescantes!»"
Charles Baudelaire, As Flores do Mal, trad. João Moita, Lisboa: Relógio D'Água, 2020, p. 281.

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