"De repente fiquei a saber muito sobre as fontes,
essas incompreensíveis árvores de vidro sem montes.
Poderia delas como das próprias lágrimas falar
que, depois de coisas grandiosas sonhar,
desperdicei um dia e não voltei a lembrar.
Terei eu esquecido que as mãos do céu de então
acodem a muitas coisas e à confusão?
Não vi eu sempre grandezas nunca envelhecidas
na ascensão de antigos parques cheios de vida,
antes dos fins de tarde suaves e cheios de expectativa
em pálidos cantos erguendo-se e vindos de raparigas desconhecidas
transbordando das melodias
tornando-se reais e como todos os dias
reflectissem em tanques abertos de águas frias?"
Rainer Maria Rilke, O Livro das Imagens, trad. Maria Teresa Dias Furtado, Lisboa: Assírio & Alvim, 2024, p. 131.

No comments:
Post a Comment