"As ondas podem ficar incendiadas? Olhamos
apenas o seu movimento, a neblina, a proximidade
que há no sal. Ficaram mais unidas as plantas
sem cor, duras, que ali oscilam devagar. Sente-se
chegar a tranquilidade da areia que se espalha
e alguns destroços nela abandonados. Os barcos
estão vazios, juntos vemos as redes estendidas
para receberem a claridade. Todas as manhãs
isso acontece. Alguém se aproxima mais e principia
a recolher com uma das mãos a água, as suas cinzas."
Fernando Guimarães, Sobre a Voz, Porto: Afrontamento, 2024, p. 128.

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