"É magnífico, na infinita solidão de um trecho de costa, debaixo de um céu sombrio, poder lançar o olhar por sobre um ilimitado deserto marinho. Dessa experiência faz parte todavia o facto de termos ido lá, de sermos obrigados a fazer o caminho de volta, de desejarmos atravessar o mar, de não o podermos fazer, de sentirmos a falta de tudo o que compõe a vida e de contudo captarmos a voz da vida no murmurar da maré, na agitação do ar, na deslocação das nuvens, no grito solitário das aves."
Heinrich von Kleist, «Impressões perante a paisagem marinha de Friedrich», in Sobre o Teatro de Marionetas e outros escritos, trad. José Miranda Justo, Lisboa: Antígona, 2009, p. 97.

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