Wednesday, December 24, 2025

BENDITO


 

"Neste caminho cortado
Entre pureza e pecado
Que chamo vida, 
Nesta vertigem de altura
Que me absolve e depura
De tanta queda caída, 
É que Tu nasces ainda
Como nasceste
Do ventre de Tua mãe.
Bendita a tua candura.
Bendita a minha também. 

Mas se me perco e Te perco, 
Quando me afogo no esterco
Do meu destino cumprido, 
À hora em que eu Te rejeito
E sangra e dói no Teu peito
A chaga de eu ter esquecido,
É que Tu jazes por mim
Como jazeste
No colo da Tua mãe.
Bendita a Tua amargura
Bendita a minha também."



Reinaldo Ferreira, Poemas, Lisboa: Vega, 1998, p. 134. 

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