"Tudo o que sou em água, em flor, em vento,
o sou em sofrimento.
Tudo o que calo em água, em flor, em luz,
em névoa se traduz.
Nada que sou, o sou por companhia.
Ser só, é recompensa.
Quem pode dar à fuga que não pensa,
à aventura do dia,
um companheiro ou guia?
Se eram espadas,
a morte me aproxima.
Não importa de quê, não importa de quem.
Para todos e ninguém
é que nasci e sou.
Foram traições e cardos e venenos
trazidos na bandeja?
O que importa é que seja:
mais pobre, mais batida, mais exangue.
Tudo mais. Nada menos."
Natércia Freire, Obra Poética, vol. I, Lisboa: INCM, 1991, p. 158.

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