Thursday, August 28, 2025

ÂNGULO PROFUNDO

 



"não entendo as conversas de café
os rituais sociais
códigos de pertença

sorrio fora de tempo

há pessoas que parecem encaixar
como se tivessem o molde certo
eu sou aresta
ângulo profundo
a frase deslocada no fim do poema

não pertenço a nada
não pertenço a mim. 

e às vezes pergunto:
quem és tu pra estar aqui"



Rui Sobral, Noturnos, Lisboa: Poética Edições, 2025, p. 56. 

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