Thursday, June 30, 2016

PHUSIS



«103. Atenienses: "A esperança é um estimulante para o perigo, e para aqueles que dispõem de outros recursos, embora possa prejudicá-los ela não os leva à ruína, mas para quem arrisca tudo num só lance - a esperança é pródiga por natureza - seu verdadeiro caráter só é percebido quando o desastre já aconteceu; quando finalmente se revela a sua precariedade, ela não oferece à sua vítima qualquer oportunidade para precaver-se após essa revelação. É isto que vós, fracos como sois e sós num dos pratos da balança, deveis evitar; não imiteis a maioria que, quando ainda é possível a salvação por meios humanos disponíveis, logo que a desgraça chega e lhe fogem todas as esperanças reais se entrega às irreais - vaticínios, oráculos e outras semelhantes - que se juntam a tais esperanças para levar os homens à ruína".»


Tucídides, História da Guerra do Peloponeso, 5, 103, trad. Mário da Gama Kury, 4ª ed., Brasília: Editora da Universidade de Brasília, 2001, p. 350. 

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