"Vi-me no assombro da aparição, ao alto, de Maria
Purgada de unção, pasma lívida,
E, por descuido, aspergindo-a no colo.
Vi-me no assombro, erecto, deleitoso.
Quando de pálpebras fechadas eu me aproximava
Em haustos e a prendia nos dentes e, nesse esgar,
Lhe pesava os cabelos, abaixou-se confusa,
A praguejar, aonde permaneceu muda.
(Os brancos olhos mordiam a boca que secava.)
Ó amada ofegante, repousada,
Acima do manto que manchava,
<Ali se vê etérea, de delicado áureo.>"
José Emílio-Nelson, Bacchanalia, s.l.: Edições Sem Nome, 2014, p. 56.



















