"A uma bordadora de um paiz longinquo foi encommendado pela sua rainha que bordasse, sobre sêda ou setim, entre folhas uma rosa branca. A bordadora, como era muito jovem, foi procurar por toda a parte aquella rosa branca perfeitissima, em cuja semelhança bordasse a sua. Succedeu que umas rosas eram menos bellas do que lhe serviria, e que outras não eram do branco que ella buscava. Gastou dias sobre dias, chorosas horas, buscando a rosa que imitasse com sêda, e, como nos paizes longínquos nunca deixa de haver pena de morte, ella sabia bem que, pelas leis dos contos como este, não podiam deixar de a matar se ella não bordasse a rosa branca.Porfim, não tendo outro remedio, bordou de memoria de não sabia que rosa, a rosa branca que lhe haviam encommendado. Depois de a bordar foi comparal-a com as rosas brancas que existem realmente nas roseiras. Succedeu que todas as rosas brancas se pareciam exactamente com a rosa que ella bordara, que cada uma d«ellas era exactamente aquella.Ella levou o trabalho ao palacio e deve ter casado com o Principe."Fernando Pessoa: O Guardador de Papéis, org. Jerónimo Pizarro, Lisboa: Texto Editores, 2009, pp. 368-369.


















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