"Calculou que seria a ordenança, embriagada como de costume, voltando de alguma aventura nocturna. Mas não; era um passo desconhecido. Alguém caminhava, arrastando suavemente os pés. A porta abriu-se e entrou no quarto uma mulher vestida de branco.Supôs que era a sua velha ama e admirou-se. Que podia trazê-la assim, àquelas horas? Mas a mulher vestida de branco aproximou-se mais, colocou-se diante dele e Hermann reconheceu a condessa.- Vim a tua casa contra a minha vontade - disse em voz firme. - Mas foi-me ordenado que satisfizesse o teu pedido. Terno... sete... ás... ganharão a seguir, mas é preciso que jogues só uma carta por noite e que nunca mais voltes a jogar em toda a tua vida. Perdoar-te-ei a minha morte com a condição de casares com a minha protegida Lisaveta Ivanovna.Proferidas estas palavras, dirigiu-se lentamente para a porta e desapareceu, arrastando as pantufas. Hermann ouviu bater a porta da antecâmara e viu, de novo, os olhos colados à vidraça que o fitaram.Ficou assim durante muito tempo sem conseguir voltar a si. Por fim, levantou-se e entrou no quarto contíguo."Alexander Pushkin, A Dama de Espadas, trad. José Marinho, Mem Martins: Publicações Europa-América, 2007, pp. 61-62.




.jpg)














