"Henri Gouhier aproxima o ofício do historiador do do encenador. O palco construído, o cenário montado, o texto redigido, trata-se de apresentar o espectáculo, de fazer passar o texto, dar-lhe vida, e é isto o essencial: convencemo-nos disso quando, depois de ler uma tragédia, a escutamos, a vemos representada. Ao historiador cabe esta mesma função mediadora: comunicar pela escrita a chama, o «calor», reconstituir a «própria vida». Ora, que não haja mal entendidos, esta vida que ele tem por missão insuflar é a sua. Consegue-o tanto mais quanto mais sensível for. Deve controlar as suas paixões, mas sem contudo as abafar, e cumpre tanto melhor o seu papel quanto mais se deixa, aqui e ali, levar um pouco por elas. Longe de o afastarem da verdade, elas têm a possibilidade de o aproximarem ainda mais dela. À história árida, fria, impassível, eu prefiro a história apaixonada. Não estou longe de pensar que ela é mais verdadeira."
Georges Duby, A História Continua, trad. Ana Cristina Leonardo, Porto: Asa, 1992, p. 55.


















