"O que se passa com o presente que está sempre ansioso por julgar o passado? Há sempre algum neuroticismo ligado ao presente, que se crê superior ao passado mas não consegue superar a irritante ansiedade de que pode não o ser. E atrás disto vem outra questão: que autoridade temos nós para julgar?Somos o presente, o passado é o passado: habitualmente isto é suficiente para muitos de nós. E quando mais se recua no passado, tanto mais atraente se torna simplificá-lo. Por mais grosseira que a nossa acusação possa ser, o passado nunca responde, permanece em silêncio."
Julian Barnes, O Homem do Casaco Vermelho, tradução de Salvato Teles de Menezes, Lisboa: Quetzal, 2021, p. 197.

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