Wednesday, June 3, 2009

PARA L., QUE TEM DE ACEITAR


"Há uma mulher a morrer sentada
Uma planta depois de muito tempo
Dorme sossegadamente

Como cisne que se prepara
Para cantar

Ela está sentada à janela. Sei que nunca
Mais se levantará para abri-la
Porque está sentada do lado de fora
E nenhum de nós pode trazê-la para dentro

Ela é tão bonita ao relento
Inesgotável

É tão leve como um cisne em pensamento
E está sobre as águas
É um nenúfar, é um fluir já anterior
Ao tempo

Sei que não posso chamá-la das margens."


Daniel Faria, Dos Líquidos, 2ª ed., Vila Nova de Famalicão: Quasi Edições, 2003, p. 124.

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