Tuesday, August 30, 2011

PELOS CONFINS DO ESPAÇO


"
1.
Dirijo-me somente aos que podem entender,
que as portas do templo se fechem aos profanos!
Escuta, Museu, filho do portador da luz.
Vou revelar-te toda a verdade.
Possam os sentimentos outrora teus
não te afastar da preciosa vida.
Contempla o verbo divino, acerca-te dele,
oferece o coração e a inteligência da alma
e, depois, avança para ele, por esse estreito caminho,
pensando que ele é o único rei do Universo.
Ele é uno, a si mesmo se gera, e tudo nele se gerou,
move-se pelo Universo, invisível para os mortais,
embora ele veja tudo de todas as coisas criadas.
Dele derivam, com a felicidade, as guerras sangrentas
e as dores aflitivas.
Não há outro como este rei, que não vejo,
pois uma nuvem o dissimula
Nos olhos dos mortais as pupilas morreram
impotentes para verem o todo-poderoso, rei do Universo.
A sua sede encontra-se no bronze celígeno,
o trono aurífero, e tem os pés sobre a terra,
enquanto estende a mão direita para os confins do Oceano,
até aos confins do espaço, enquanto à sua volta fremem
as montanhas, os rios, e, no azul do oceano,
as glaucas ondas, coroadas de espuma."

Hinos Órficos, in Filosofia Grega Pré-Socrática, ed. Pinharanda Gomes, 4ª ed., Lisboa: Guimarães Editores, 1994, pp. 90-91.

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