"Mas, meu caro, torna-se necessário considerar este pesado, angustiante, terrestre e visível."
Platão, Fédon, 81c, trad. Adelino Dias, Porto: Areal Editores, 2005, p. 71.
"Talvez, na realidade, todos nós estejamos mortos. É assim que, um dia, eu ouvi homens sábios dizer que a nossa vida presente é uma morte, que o nosso corpo é um túmulo, e que este lugar na alma em que residem as paixões obedece, pela sua natureza, aos impulsos mais opostos."
"O mesmo discurso deve ser feito acerca da natureza que recebe todos os corpos. A ela se há-de designar sempre do mesmo modo, pois ela não perde, de modo algum, as suas propriedades: recebe sempre tudo, e nunca em circunstância alguma assume uma forma que seja semelhante a algo que nela entra; jaz por natureza como um suporte de impressão para todas as coisas, sendo alterada e moldada pelo que lá entra, e por tal motivo, parece ora uma forma, ora outra; mas o que nela entra e dela sai são sempre imitações do que é sempre, impressas nela de um modo misterioso e admirável, que investigaremos posteriormente."
"Recordemos aqui a definição aristotélica: o enigma é a formulação de uma impossibilidade racional que, no entanto, exprime um objecto real. O sábio, que domina a razão, deve desfazer tal nó. Por isso, o enigma, quando entra no agonismo da sabedoria, deve assumir uma forma contraditória."
"Falando Ferécides de Siro das grutas, das covas, dos antros, das portas e das saídas e, através destas coisas, referindo-se enigmaticamente aos nascimentos e às extinções das almas..."
"O tempo é uma coisa muito estranha. Pesa mais para aqueles que o têm a menos. Nada é mais leve do que ser jovem e trazer o mundo às costas."