"Dantes a passagem do tempo deixava-se adivinhar
nos contornos imperfeitos das pedras que pisamos.
Os antigos conheciam os segredos dos caminhos
e dos muros e contavam velhas estórias
de sustos e de choro.
Agora, como marionetas cujo fio mágico
irrompe, giratório, à boca da cena,
assim a dança dos dias no calendário.
Com sinais de urgência.
Com movimentos apressados onde o caos se instala.
Com vozes que são água tão funda sob o peito
que perturbam o imenso silêncio das estrelas."
Graça Pires, Poemas Escolhidos 1990-2011, Lisboa: edição da autora, 2012, p. 169.

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