"Abençoado por rituais que decifram
tudo o que está para além de tudo
ele reconhecia os lugares sagrados.
Na demanda de árvores prenhes de luz
escutava a voz úbere da terra
e o cântico subterrâneo das fontes.
Sobre a humidade da folhagem
vêm agora aves solares
em silenciado voo purificar-lhe os passos
com rasgos de confidência
para que sempre lhe pertença
a simbologia e o culto dos lugares."
Graça Pires, «O improviso de viver», in Poemas Escolhidos [2012-2025], Lisboa: Poética Edições, 2026, p. 250.

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