"Um anjo mortuário, de asas tombadas de morcego, esmagava-lhe a barriga, uma paz de sesta sem sono crescia-lhe no corpo. O cigano regressou do mar, a bronquite dos cachorros cantava-me aos ouvidos. Manoel de Sousa de Sepúlveda fechou os olhos enquanto o sol começava, devagar, a colori-lo:- Vou dormir um bocadinho, pensou ele a esconder os tornozelos na areia. Assim como assim já não tenho nada que me possam roubar."António Lobo Antunes, As Naus, Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1988, p. 88.

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