"Os solitários e os doentes vêm para nos ver, e as velhas acendem luzes para nós nas cabanas. Tocam para nós os sinos das igrejas. Os camponeses levantam-se dos regos para nos espreitar. Até os animais ficam a olhar para nós e nunca fogem. E desde que caminhamos o sol foi ficando mais quente e já não colhemos as mesmas flores. Mas todas as hastes se podem entrançar nas mesmas formas, e as nossas cruzes estão sempre frescas. Por isso temos muita esperança, e brevemente veremos o mar azul. E no fim do mar azul está Jerusalém. E o Senhor deixará vir ao seu túmulo todas as criancinhas. E as vozes brancas alegrar-se-ão na noite."
Marchel Schwob, A Cruzada das Crianças, trad. Luís Ruivo Domingos, Lisboa: Teorema, 1991, p. 38.

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