Friday, March 27, 2026

AUSÊNCIA EM VIDA ADIVINHADA

 




"Passando, faz-se nada a nossa vida,
do tempo presa, da incerta sorte,
e gela-me sabê-lo enquanto a morte
em cada instante sinto que se olvida.
Como fizera ainda da esvaída
confiança que se finge praça-forte
se só angústia, sem história ou norte,
o meu silêncio guarda, desmedida?
Conheço a solidão sem movimento,
onde se torna sonho quanto vivo;
e da aguda consciência cativo -
que da razão já sinto descolada -
a uma ausência em vida adivinhada
vejo vazar o próprio pensamento."


Jorge Vilhena Mesquita, O Sentimento da Ausência, Águas Santas: Edições Sempre-em-Pé, 2005, p. 64.

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