"Suponho que há escritores loquazes e escritores silenciosos. Falar e escrever são, para mim, exercícios completamente diferentes. Pertenço mais ao género dos parcos que ao dos loquazes, e, cada vez mais, por motivos óbvios. Segui sempre o conselho daquele que antes de falar mordia dez vezes a língua. Se à décima mordidela continuava a pensar a mesma coisa, dizia-a; se hesitava, ficava calado. Passo a duvidar de se vale a pena dizer o que estou a dizer. Tomar a palavra, de certa maneira, é vergonhoso, é como dizer; eu, sim, tenho qualquer coisa para dizer, ouçam-me. Pelo contrário... não estou muito certo de ter alguma coisa interessante para dizer. Na verdade, sinto-me esmagado pelo penso das palavras."
Héctor Abad Faciolince, Os Dias de Davanzati, trad. Margarida Amado Acosta, Lisboa: Quetzal, 2012, p. 31.

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