"Nessa árvore que o fruto mal sustém,
Avergada ao seu peso abençoado,
Nessas árvores sorri um ar sagrado,
Todo perdão e piedoso bem,,,
Ouve-se nela a Natureza... «Vem»,
Fala esta ao faminto, ao desgraçado. -
«Vem comer o meu fruto! Filho amado,
«Vem beber o meu leite alvo de Mãe...»
E a árvore, a Natureza, este anseio,
(Mãe terna dando ao filho o farto seio...)
À fera e ao verme faz igual pregão.
E como o verme a rastejar na lama
Lhe não alcance o seio, estende a rama,
Baixando o fruto, o seio, até ao chão..."
Bernardo de Passos, «Grão de Trigo», in Poesia da Árvore - Antologia Poética, org. Eng. Resina Rodrigues, 1979, p. 51.

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