"Todos os passos conduzem à inclinação do
dia.
Os girassóis voltam-se para a luz e depois,
timidamente,
observam o chão.
A hora mais triste é aquela que, sem pressas,
se aproxima dos candelabros.
Intercalam-se gemidos de crepuscular evidência.
O orvalho regressa à transparência dos vidros e
não é tarde nem cedo para a agonia das
crianças destroçadas.
O dia e a noite são o mesmo corredor que
traça a linha cruel dos labirintos.
O pavor não tem nome nem perfil.
Está ali sempre, simplesmente."
José Agostinho Baptista, Ahora y en la hora de nuestra muerte / Agora e na hora da nossa morte, trad. Antón Castro, Zaragoza: Olifante, 2001, p. 74.

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