"Há falsos profetas a levante do destino.
É preciso fechar por dentro
as águas-furtadas da sorte.
Emparedar os passos.
Não vá haver, por aí, interditos anjos
a violentar-nos o andar.
Apenas o silêncio é comum às mãos
que acolhem todas as tempestades,
sem desviar os olhos da quietude de um abraço:
labirinto onde aceitamos ser felizes
sem qualquer condição.
Terra natal de todos os desejos.
Sudário das nossas solidões."
Graça Pires, Poemas Escolhidos 1990-2011, Lisboa: edição da autora, 2012, p. 76.

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