"Mas quem decide
assim
do teu destino
aldeia
alcandorada
em ossos
com tuas casas
moles
- mãe de sapos?
Quem passa
nestas ruas
ao luar
remoto mar
de lua
sobre os membros
melhor que o sonho
sonha sonegar.
Quem passa aqui
tem os membros de pedra
sabe de cor
a colecção dos sinos
sabe passar
sem pressa
e sem pensar
acode-lhe sorrir
ao cão do dia
saborear a fruta
e mastigar
dormir dormir
amamentar
sem pranto
um filho que paria.
E quando
os bois começam
no seu choro
babando as ruas
dobando o fio dos chifres
numa impossível teia
quem passa
nesta aldeia
ceia com vagares
e não sabe se sonha
cisma
ou devaneia."
Armando da Silva Carvalho, Os Ovos D' Oiro, cadernos de poesia, n.º 7, Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1969, pp. 65-67.

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