"A vista desempenha um papel fundamental na eclosão do amor. Na segunda parte do Romance da Rosa, Jean de Meun escreveu por volta de 1270-1280 o seguinte: «Após reflexão ponderada, o amor é uma doença do pensamento que atinge de maneira conjunta duas pessoas de sexo diferente, ambas livres, e que se manifesta por um ardente desejo, nascido de olhares apaixonados, de abraçar, de se dar beijos e de desfrutar juntos do prazer carnal.
Os provérbios medievais insistem no papel da visão: «Onde está o amor, também estão os olhos», proclama um deles que data do século XIII.
André le Chapelain, autor de um Traité de l'amour courtois, escrito em 1186, chega a afirmar que uma pessoa cega não pode amar, pois, não vendo, o seu espírito não pode ser objecto de reflexões obsessivas."
Jean Verdon, O Prazer na Idade Média, trad. José Luís Luna, Lisboa: Difusão Cultural, 1998, pp. 13-14.
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