Saturday, June 24, 2023
JOANINO
Friday, June 23, 2023
PERENEMENTE
"Só no amor, na renúncia e na dedicação residia a felicidade humana. O corpo precisa apenas de um bocado de pão. A alma, essa, necessita de mais abundante alimento, porque a sua fome de ideal arde perenemente, eternamente insatisfeita. Se o mundo era mau, e o homem se revelava, como há cem mil anos, o lobo do homem, era porque, dezanove séculos depois do Calvário, ainda a doutrina de Cristo se não gravara nos corações. E parecia-lhe tão simples a solução do problema! Toda ela se encontrava em duas linhas do Sermão da Montanha: «pão para todas as bocas, perdão para todas as dívidas». No dia em que os fartos repartissem com os esfomeados, e se apagasse nas almas o ressentimento de todos os agravos, a humanidade seria feliz, - e sobre a terra, até então empapada de lágrimas e sangue, desceria, num deslumbramento, o reino de Deus..."
Campos Monteiro, Camilo Alcoforado, 7.ª ed., Porto: Livraria Figueirinhas, s.d., pp. 106-107.
PROPRIEDADE
Wednesday, June 21, 2023
HORA DE VERÃO
Tuesday, June 20, 2023
PATOLOGIA
Monday, June 19, 2023
QUARTO ABANDONADO
Sunday, June 18, 2023
PROFETAS
"se te invoco Deus
é para saber porque não se escrevem
poemas felizes.
respondendo
volta ao teu silêncio.
aliás quantos profetas te perguntaram
se eras feliz?
talvez nas suas grutas fosse impossível
alguém ser maior que tu.
portanto sendo mortal
é justo que te pergunte:
porque não há poemas felizes?
(bons poemas pelo menos)
nunca ninguém me disse:
recita.
fiquei sempre aqui assombrado
à espera de uma bênção.
e todas as rosas continuaram
a pronunciar o mesmo cheiro
mesmo quando cheirava a rosas."
Friday, June 16, 2023
LEVEZA DE OCASIÃO
Thursday, June 15, 2023
PRINCÍPIO
Aristóteles, Metafísica, V, 1012b 34- 1013a 20, trad. Carlos Humberto Gomes, Lisboa: Edições 70, 2021, pp. 175-176.
Tuesday, June 13, 2023
ANTONIANO
Monday, June 12, 2023
INTERSTÍCIO
"A quem ali chegasse de noite, pela primeira vez, parecer-lhe-ia, no dia seguinte, ter caído de algum avião, pois não enxergava interstício na muralha de pedra por onde se insinuasse a fita de um carreiro. Era um mundo à parte aquele, perdido, ignorado do outro na corcova gigante daquela serra. Nem os rios lá chegavam, nem poços ali afloravam, não gorgolejava uma nascente e, contudo, a vegetação manava, como oásis, nos pequenos vales abertos entre os outeiros nascidos naqueles píncaros."
Lília da Fonseca, O Relógio Parado, Lisboa: Arcádia, 1961, p. 40.
Sunday, June 11, 2023
AVALIAR
"Quando Deus, cuja beleza é impossível de avaliar, deu à Natureza a beleza que a caracteriza, transformou-a num curso de água impossível de secar, sempre em movimento, a fonte de toda a beleza, e cujas margens e profundezas ninguém conseguiu sondar. Assim, não seria apropriado da minha parte fornecer uma descrição tanto do seu corpo quanto do seu rosto, que é de tal maneira fresco e encantador, que nenhum lírio de Maio, nenhuma rosa no seu ramo, nenhum floco de neve no seu tronco, se mostram tão vermelhos ou tão brancos. Acabaria por me ver obrigado a pagar pela minha ousadia caso me atrevesse a compará-la fosse ao que fosse, já que homem algum está em condições de compreender a sua beleza ou o seu valor."
Guillaume de Lorris e Jean de Meun, O Romance da Rosa, trad. Lucília Mateus Rodrigues, Mem Martins: Publicações Europa-América, 2001, IX , p. 265.
ORDEM TERRENA
"Abandonei por duas semanas o meu amado jardim junto ao Wannsee para regressar à paisagem mediterrânica. «Mediterrâneo» significa literalmente no meio da terra. Portanto, estou particularmente próximo da terra. A proximidade da terra enche-me de felicidade. Mas o meio digital destrói a terra, essa maravilhosa criação de Deus. Amo a ordem terrena. Nunca a abandonarei. Experimento um sentimento de fidelidade profunda, de profundo apego a esse precioso dom de Deus. Penso que a religião não significa senão esta profunda compenetração que, no entanto, me faz livre. Ser livre não significa ficar ocioso nem estar livre de compromissos. Para mim, em momentos como este, liberdade significa passar o tempo no jardim."
Byung-Chul Han, Louvor da Terra - Uma Viagem ao Jardim, trad. Miguel Serras Pereira, Lisboa: Relógio D'Água, 2020, p. 115.
Friday, June 9, 2023
HABITÁCULO
"Que alegria e que terror teres vindo. Conseguirei voltar a habitar este espaço outra vez sem ti?"
Daniel Faria, Sétimo Dia, 1:14., Lisboa: Assírio & Alvim, 2021, p. 46.
Thursday, June 8, 2023
O PÃO E O VINHO
"Temos
sobre a terra a tarefa de preparar para o altar
o pão e o vinho do sacrifício
que inscrevem na terra
o próprio céu.
O mais insondável dos mistérios é o céu esconder-se
num humilde pão. Porque Jesus é o próprio céu
vindo até nós, todas
as manhãs.
Rainhas
mais felizes do que nós certamente que não há.
As tarefas do seu estado não são uma prece
unitiva com o seu próprio
Esposo.
As maiores
honras deste mundo não se podem comparar
com a paz celeste e profunda
que Jesus nos quer
dar a provar:
É natural
que invejemos santamente o trabalho de nossas mãos,
a pequena e branca hóstia
onde se esconderá
o Cordeiro divino.
(...)"
Tuesday, June 6, 2023
HONRADO BENEFÍCIO
"Os do castello mujto anojados por a morte de Nuno Gomçallvez, que lhe assi virom dar, nom teverom mentes no fogo que deitarom, estando mujto espamtados das razooens que dissera ao filho. O fogo era gramde per aazo do vemto, a que se remedio nom pode poer, e arderom todallas choças com quamto neelas sija, e mujta gente em ellas: e o filho de Nuno Gomçallvez manteve o castello como lhe seu padre mandou, e depois lhe deu elRei huum muj homrrado benefiçio, por quamto lhe prougue escolher vida de clerigo."
Monday, June 5, 2023
SECULAR
Sunday, June 4, 2023
BOM JESUS
"Para este povo, gente simples do mar, gente então pobre que sentia na pele as agruras da vida dura cheia de incertezas quanto ao futuro, pois o seu sustento provinha do mar, por vezes tão generoso e não raramente tão duro e hostil, durante muitos séculos - até ao século XVIII - o Senhor Jesus de Bouças, hoje de Matosinhos, pelos auxílios que lhe foi prestando pelos "milagres" realizados nesta vida ingrata de pescadores, tornou-se o Bom Jesus, e assim é designado até hoje, como expressão da bondade de Deus que por Seu Filho chega aos mais pobres e abandonados, aos marginalizados, e faz deles os favoritos do Reino, solidarizando-se com eles."
Pe. José Maria Gonçalves Fabião, Devoção, Romaria e Festa do Bom Jesus de Matosinhos. Sua Origem e Evolução, Matosinhos, 2001, p. 9.
Saturday, June 3, 2023
BALIZAS
"Este monte, ora ermo, silencioso e esquecido, já se viu regado de sangue: já sobre ele se ouviram gritos de combatentes, ânsias de moribundos, estridor de habitações incendiadas, sibilar de setas e estrondo de máquinas de guerra. Claros sinais de que aí viveram homens: porque é com estas balizas que eles costumam deixar assinalados os sítios que escolheram para habitar na terra."
Alexandre Herculano, "O Castelo de Faria", in Lendas e Narrativas, Tomo I, 28.ª ed., Lisboa: Livraria Bertand, s.d., p. 218.
.jpg)


















