" - Eu amo-te, Monty - disse Kiki. - Há mal nisso?
- Se alguma coisa está mal, sou eu - disse Monty, ajustando o cinto. - Muita gente chamaria a isto um crime. Se tiver consequências infelizes para ti, será uma prova a favor de quem pensa que sim. É algo que tens de ser tu a cuidar por mim. Tudo isto aconteceu em parte por eu confiar em ti para esse efeito.
- Não compreendo e, no entanto, compreendo - disse Kiki.
- Mas é-me impossível não te amar para sempre e isto também pesa.
- Uma rapariga da tua idade não sabe o que é para sempre.
- No entanto, eu acho que sei - afirmou Kiki. - Sei o que é. Sou uma rapariga notável."
Iris Murdoch, A Máquina do Amor Sagrado e Profano, trad. Fernanda O' Brien, Lisboa: Relógio d'Água, 2004, p. 361.
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