"'Squeço as coisas nítidas, gosto de fumo
que venha de flor's britadas, quase milho.
As seitas em fuga é o álcool que consumo,
montanhas em obras são sempre o meu trilho.
Prefiro ver corpos cingidos de greda
que bebam quimeras. Vivo com duendes:
não mastigo nafta. E as minhas poucas sedas?
São maçãs de sombra que tu não entendes.
Ao 'spelho a ternura move-se a dedadas
dormitando em becos de bílis e fel,
onde apenas vê punhais e marradas.
Ser nu é o meu casto e sórdido papel:
vou de boca em boca a mendigar dentadas
- e queimo as abelhas que qu'riam ser mel."
Fernando Grade, A minha pátria é o sábado - sonetos, Lisboa: Edições Mic, 1989, pp. 33-34.
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