"Dilatados por gigantescas visões,
claros pela labareda do decurso
dos tribunais que nunca lhe deram aniquilações -
estão os olhos, contemplando de todo o curso,
sob sobrancelhas cerradas. E no seu interior, de novo,
se erguem palavras para o povo,
que não são suas (estas que pouco seriam
e com que cuidado se dissipariam)
mas outras, duras: pedaços de ferro, pedras do chão,
que ele tem de derreter como um vulcão,
para as lançar no explodir
da sua boca, que amaldiçoa e torna a amaldiçoar;
tal como a sua teste, como a testa canina a ir
procura transportar e exibir
aquilo que o senhor da sua testa tira:
Este, Este que todos achariam,
se seguissem as grandes mãos diriam
vendo que a Ele se dirigiam: causámos sua ira."
Rainer Maria Rilke, Novos Poemas, trad. Maria Teresa Dias Furtado, Lisboa: Assírio & Alvim, 2023, p. 147.

No comments:
Post a Comment