"E por um verso de oiro eu fui cem vezes morto.
E por amor de ti mil vezes me busquei.
Tinhas as mãos tranquilas como os dias de Inverno.
Humedeci os lábios na tua solidão.
Era tão simples tudo! E ah, quem no soubera,
desprevenida a face, exposta ao vário vento?
Agora sei que ascende ao longe a Primavera
e vou, bebendo o espaço, efémero e sereno.
Ao mar abandonei as infundadas ilhas.
Um rio acrescentei às mal cuidadas searas.
Agora frutifico as minhas mãos em claras
surpresas de granito!"
António Luís Moita, Revista Árvore, 2.º fasc - Inverno de 1951-1952, ed. facsimilada com introdução e índices de Luís Adriano Carlos, Porto: Campo das Letras, 2003, p. 122.

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